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TELEMEDICINA E SAÚDE DIGITAL

14/06/2020 - Aplicativos já são realidade na endocrinologia e metabologia

Um dos efeitos da pandemia de Covid-19 foi a aceleração do estabelecimento de práticas de Telemedicina e do desenvolvimento de novas tecnologias e plataformas. Enquanto o panorama se altera, a Revista da APM segue com a sua série sobre como ferramentas como inteligência artificial, big data, machine learning, entre outras, têm afetado as especialidades, abordando nesta edição a Endocrinologia e Metabologia, especialidade essencialmente ambulatorial. 

Rodrigo Moreira, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), afirma que a situação do novo coronavírus alterou significativamente os trabalhos desses especialistas, visto que os atendimentos ambulatoriais têm sido deixados de lado em decorrência da necessidade de isolamento social.

“Desta forma, a Telemedicina veio como uma ferramenta muito importante para ajudar os endocrinologistas a manter o acompanhamento dos pacientes”, diz Moreira, que avalia, ainda, que a especialidade se beneficiaria de uma regulamentação da Telemedicina, podendo oficializar e incorporar novas tecnologias em consultas e atendimentos.

Marcio Krakauer, diretor da Regional São Paulo da SBEM e assessor de Tecnologia da Sociedade Brasileira de Diabetes, relata as experiências com a Telemedicina durante a pandemia: “Em geral, realizamos com pacientes que a gente já conhece. Desaconselhamos, inclusive, atuar por Telemedicina em pacientes que não conhecemos. Estamos fazendo consultas a distância, com troca de exames laboratoriais, dados de glicose, de hormônios, exames de pressão, pulso, saturação e a experiência tem sido positiva”, resume. 

O especialista – que tem sido o representante da SBEM/SP nas discussões sobre Telemedicina na AMB – avalia, porém, que a situação ainda é aquém da necessidade, embora acredite que no futuro os médicos irão dividir seu tempo entre as consultas presenciais e a distância, por Telemedicina, mesmo na prática de rotina, tendo sido superada a situação da Covid-19.

Em seu entender, um dos entraves que faz com que menos médicos realizem consultas a distância é a falta de uma regulação clara das formas de pagamento das operadoras de planos de saúde e mesmo do Sistema Único de Saúde (SUS). Com essa questão superada, Krakauer acredita que a Telemedicina irá crescer muito entre os endocrinologistas.

FERRAMENTAS
Rodrigo Moreira destaca que uma das doenças com a qual os especialistas mais trabalham é a diabetes. “Nos últimos anos, essa área vem incorporando a tecnologia de maneira muito rápida no tratamento, principalmente no que se refere aos sensores de glicemia. Hoje, ela é medida pelo celular e o paciente consegue dar acesso ao médico do relatório. Remotamente, o especialista consegue acompanhar o controle glicêmico desse paciente e, a partir disso, pode orientar e ajustar as doses de insulinas necessárias” descreve o presidente da SBEM.

Outras tecnologias de destaque, conforme aponta Marcio Krakauer, estão nas bombas de insulina, que misturam elementos de inteligência artificial com big data ou machine learning. “Elas são semiautomáticas, parando a infusão antes de atingir uma hipoglicemia.” Ele também lembra que os profissionais podem contar com aparelhos de pressão ou balanças que medem peso e composição corporal via bluetooth. 

Além do medo do digital e do desconhecido, que entende estar diminuindo, Krakauer vê outras barreiras para a utilização de algumas ferramentas: “A grande maioria dos dados precisam ser imputados tanto pelos médicos, quanto por pacientes, de maneira trabalhosa e manual”. Um exemplo que ele aponta são os aplicativos para obesidade. Normalmente, o paciente tem que inserir, a cada refeição, a sua alimentação, durante semanas ou meses. Com o esforço demandado, a maioria dos indivíduos acaba desistindo.

Evoluções nessa questão podem ser o que de mais disruptivo aconteça na Metabologia e Endocrinologia nos próximos anos. “Por exemplo, um aplicativo que entenda o que um indivíduo irá comer por meio de fala ou de foto, contabilizando a comida do ponto de vista calórico e fornecendo conselhos aos usuário”, comenta o especialista, que também aponta que novas formas de injetar medicações irão mudar o cenário da especialidade, além das ferramentas de comunicação.