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TELEMEDICINA E SAÚDE DIGITAL

18/04/2020 - Psiquiatria também se beneficia de novas tecnologias

Como é possível notar o impacto das novas tecnologias digitais em uma prática médica focada, essencialmente, na saúde mental dos pacientes? É o que a Revista da APM tenta entender dando prosseguimento à sua série sobre a presença da Telemedicina e da Saúde Digital nas especialidades – na qual já foram abordadas Anestesiologia, Pediatria, Patologia e Pneumologia.

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, nos ajuda a responder essa questão: “As novas tecnologias vão além do que os pacientes podem perceber. Ao contrário do que muitos pensam, grande parte do desenvolvimento científico dos tratamentos que hoje utilizamos já estão relacionados a essas tecnologias”. 

Ele explica: há ferramentas que permitem aos psiquiatras, atualmente, mapearem biomarcadores e identificarem quais as substâncias que atuam em nosso organismo e sistema nervoso central e estão relacionadas ao desenvolvimento de transtorno psiquiátrico – para além da presença do gatilho que o inicia.

“Podemos atuar com mais eficácia ao conseguir identificar quais os fatores genéticos que levam ao aparecimento da doença mental e estamos cada vez mais próximos da identificação de aspectos hereditários, entre outros”, adiciona o especialista.

ACOMPANHAMENTO A DISTÂNCIA

Além dos instrumentos supracitados, a Psiquiatria tem a presença da tecnologia em elementos mais básicos, como serviços de mensagem. Kalil Duailibi, presidente do Departamento Científico de Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina, aponta que é possível, dessa maneira, acompanhar pacientes que estão em estados diferentes sem grandes impactos. 

Ele explica, entretanto, que há limites para isso. “O primeiro contato presencial não se substitui. O que é possível é realizar o acompanhamento. Essa diferença os psiquiatras têm que entender.” Segundo Duailibi, é comum que os pacientes deem feedbacks sobre suas condições por aplicativos como WhatsApp. 

Para o psiquiatra, é importante observar que as tecnologias também auxiliam na obtenção de uma segunda opinião. “Você pode ter um paciente atendido por um clínico, em um local sem Psiquiatria, e contatar algum especialista para completar o atendimento. Isso já é uma realidade, mas tende a crescer e será muito bom. O paciente, assim, ainda seria avaliado por um médico presencialmente e, em um segundo momento, estaria nessa outra esfera”, explica.

Na questão dos medicamentos, também há uma evolução notável. “Com o avanço na identificação [das doenças mentais], temos também melhora na tecnologia dos medicamentos que hoje estão ao alcance da população, indo desde a formulação de novas moléculas até a forma da apresentação, absorção, distribuição e eliminação das substâncias”, aponta Silva.

Outro aspecto importante da inovação é o número crescente de instrumentos para acompanhamento de doenças específicas. Como aponta Duailibi, no caso da depressão, o paciente pode se conectar a um site em que responde diversas perguntas periodicamente e o médico pode acompanhar por ali o quadro depressivo. 

“Existem instrumentos, por exemplo, de autoavaliação com perguntas específicas para cada paciente. Para alguém com insônia, eu posso questionar sobre como foi o sono e como está a evolução do humor. E a ferramenta produz relatórios e gráficos. Isso auxilia muito o trabalho do médico. Ainda usamos pouco no Brasil, mas é realidade em outros locais”, diz o presidente do Departamento de Psiquiatria da APM.

APLICAÇÃO

Já o presidente da ABP aponta que as principais barreiras para implementação de tecnologias mais avançadas na Psiquiatria estão relacionadas aos seus custos. Ele ressalta também que temos hoje no Brasil uma ciência psiquiátrica que pode ser considerada a melhor da América Latina e uma das melhores do mundo. 

Por outro lado, essa ciência de alto nível – conforme explica o psiquiatra – é praticada, em sua maioria, no âmbito privado, sem aplicação de forma equânime e igualitária em todos os serviços de saúde mental. E isso se deve aos seguintes fatores: “Na atenção privada há investimento, disponibilidade técnica, hotelaria de qualidade, o que nos dá atendimento de primeiro mundo. Já na rede pública, a incompletude das ofertas faz com que tenhamos uma assistência de terceiro mundo”, finaliza.

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