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ESPECIAL

06/03/2020 - Pneumologia muda ao passo que tecnologia avança

Após abordar Anestesiologia, Pediatria e Patologia, a série sobre Telemedicina e Saúde Digital nas especialidades da Revista da APM trata nesta edição da Pneumonologia. Neste campo, a tecnologia já está incorporada há algum tempo, com diferentes impactos. 

Nos sistemas de diagnósticos e tratamento da apneia obstrutiva do sono, por exemplo, há plataformas em nuvem que recebem dados contínuos dos equipamentos de ventilação não invasiva. "Isso permite que o médico, de forma remota, controle o equipamento CPAP ou BIPAP", detalha Marcelo Gervilla Gregorio, representante da Sociedade Brasileira de Pneumonologia e Tisiologia (SBPT).

Mauro Gomes, professor da Disciplina de Pneumonolgia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo - e referência na relação entre mídias sociais e Medicina - acrescenta que há duas grandes áreas em evolução na especialidade. "Na área de diagnóstico, vemos que os laudos a distância estão ganhando importância, especialmente nos campos da Radiologia e da Função Pulmonar. Nesta área, além disso, a evolução dos equipamentos foi brutal: antes, eram aparelhos que ocupavam quase uma sala inteira; hoje são portáteis e podem ser levados de um lado a outro", relata. 

O especialista também aponta o campo dos medicamentos, sobretudo os de via inalatória, muito usados na Pneumologia. "Existe alta tecnologia nas novas 'bombinhas' e aparelhos. Eles estão  lançando remédios na inalação com doses menores e com menos efeitos colaterais, ao mesmo tempo que são mais eficazes. Há diversas tecnologias refinadas, como remédios lançados em micropartículas de pó ou em névoa”, exemplifica Gomes. 

Preocupam especificamente os pneumologistas os fatos de que a doença pulmonar aguda exige exame físico presencial e que os quadros pneumônicos podem ter rápida degeneração em insuficiência respiratória. Nesse sentido, Gregorio entende que o abuso de teleconsulta pode ser desastroso.

“A Pneumologia utiliza vários equipamentos que podem ser incorporados à rotina digital, tais como o estetoscópio digital, o oxímetro e os espirômetros. Eles podem estar em posse do paciente ou de forma remota em localidades sem pneumologistas, auxiliando no diagnóstico e no controle das doenças crônicas como asma e doença pulmonar obstrutiva (DPOC)”, acrescenta o especialista, que atualmente é médico broncoscopista do Hospital Israelita Albert Einstein.

Outro aspecto de extrema importância para os especialistas é o uso das “bombinhas”, considerando que isso requer um aprendizado que pode ser complicado e que os resultados do tratamento dependem da aplicação correta. “A doença pode estar diagnosticada e o remédio bem indicado, mas se o uso dos equipamentos for incorreto, o tratamento pode não ter sucesso. Entendo que novas tecnologias devem driblar essas dificuldades, minimizando riscos de má utilização e tendo aprendizado mais rápido”, analisa Gomes

APLICAÇÃO

O professor conta que nos Estados Unidos, inclusive, existem aplicativos para smartphones que monitoram o uso destes dispositivos, dando suporte e treinamento aos pacientes. No que se refere ao uso das tecnologias ao redor do mundo, Marcelo Gregorio, da SBPT, aponta que há países como Israel e China que estão mais avançados na aplicação tecnológica. 

Por outro lado, o Brasil não fica tão atrás, segundo Gomes, que também é editor científico do portal de educação médica Pneumoimagem. Em sua avaliação, as tecnologias aqui estabelecidas são bem utilizadas e aceitas pelos pacientes. O impeditivo maior, porém, é o custo. “Existem aparelhos que custam até R$ 3 milhões. É um investimento muito grande para o SUS, fora da realidade econômica brasileira. A remuneração baixa pelos planos de saúde também impede muitas vezes a utilização de tecnologia mais avançada”, aponta.

Por fim, para Gregorio, a normatização da teleconsulta ajudaria o uso da tecnologia tornar-se mais recorrente. Além disso, lista algumas barreiras para colocar em práticas ações digitais na Pneumologia: “O preconceito do próprio médico; a falta de uma plataforma de comunicação segura e integrada aos prontuários (e que respeitem a LGPD – ler mais na pág. 30); e a ausência de regulamentação da saúde suplementar para pagamento de novas modalidades de atendimento e controle remoto”.