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07/04/2020 - Diretor da APM analisa uso de Telemedicina em meio à pandemia na TV Cultura

Antonio Carlos Endrigo, diretor de Tecnologia da Informação da Associação Paulista de Medicina, foi o convidado do “JC1” – telejornal da TV Cultura – da última segunda-feira, 6 de abril. O médico foi entrevistado pelos ancoras Aldo Quiroga e Joyce Ribeiro e falou sobre a importância do uso da Telemedicina durante a pandemia de infecções pelo novo coronavírus (Covid-19). Assista a íntegra do material e confira os destaques abaixo.

Debate médico sobre Telemedicina

“Vem sendo discutida há muito tempo. Temos uma resolução do CFM vigente datada de 2002. Tem 18 anos de defasagem com a evolução das tecnologias de informação e comunicação. Tivemos uma resolução no ano passado revogada. Não sabíamos que teríamos essa pandemia, mas se ela estivesse vigente, médicos, pacientes e serviços de Saúde estariam mais preparados para este momento que a gente está vivendo agora.”

Limites

“A Telemedicina tem uma limitação muito grande. Não existe a presença do paciente e, para o médico, sinais, sintomas, palpação e olfato são muito importantes para chegar no diagnóstico. Ela é muito útil para orientação, monitoramento e triagem. E diagnósticos para casos muito específicos. Ela é possível, nesse momento, para que você mantenha o paciente em sua residência e o oriente, quando achar que precisa, a procurar um serviço adequado.”

Capacitação médica

“Precisa de capacitação e todo um preparo. Assim como existe um consultório físico, o médico – quando for se relacionar e fazer atendimento ao paciente – precisa estar em um ambiente adequado. E precisa ter atitudes e posturas adequadas para essa consulta ou orientação a distância com o paciente. Para tudo isso, é necessário que haja capacitação. A Associação Paulista de Medicina está elaborando um curso de 10h para os médicos que estiverem interessados em ter esse treinamento, haja vista que não tivemos isso previamente por conta da revogação da resolução no ano passado.”

Acesso do paciente

“Tem várias formas de o médico acessar o paciente: aplicativos, tablets, celulares, computadores. E o paciente precisa estar em um lugar adequado. O médico precisa dar essa orientação ao paciente quando for agendado esse tipo de atendimento. E, sobretudo, sobre a questão de segurança e privacidade de informações. Então, o médico precisa estar em um lugar privativo, em que irá fazer perguntas e colher dados sensíveis do paciente – que também terá que estar em lugar adequado. E a ferramenta de comunicação tem que ter soluções que protejam a transmissão daquelas informações.”

Necessidades

“A Telemedicina não é ferramenta adequada para fazer diagnóstico e é indicada para procedimentos de baixíssima complexidade. Mas existem sinais e sintomas que o médico pode já ter um diagnóstico. E nesses casos, prescrever medicamentos ou pedir exames. Nessas situações, a Portaria 467 [de 2020, do Ministério da Saúde, que dispõe sobre Telemedicina] estabelece quais os requisitos para o médico fazer isso. Em linhas gerais, o médico precisa ter um certificado digital ICP-Brasil, esse e-CPF, só que com atributo que configure que ele é um médico. E os locais onde o paciente, por exemplo, vai comprar seu medicamento também têm de estar preparados para receber esse documento eletrônico. Então, estamos aprendendo tudo nesse ambiente que vivemos agora. O médico sabe que tem que obedecer a essas premissas, ter esses requisitos e um prontuário eletrônico em que registra o atendimento do paciente. E assinatura com certificado digital desses documentos, sejam atestados, pedidos de exames ou prescrições. E do outro lado, o laboratório do paciente e as farmácias têm que estar preparadas para receber o documento eletrônico.”

Na prática

“[A Telemedicina] pode ajudar muito. Temos que tomar cuidado, como me referi, com questões de segurança da informação, mas é o que a gente tem no momento. Existem alguns hospitais, planos de saúde e plataformas de Medicina que estão 100% adequadas aos requisitos estabelecidos, mas são poucas para a quantidade de médicos que temos hoje fazendo atendimento. E essas pessoas que estão em casa, como o Dr. David Uip mencionou, com câncer, fazendo terapia e quimioterapia, não podem deixar de fazer o acompanhamento para saber se tem troca de medicamentos ou ajuste de dosagem. Tudo isso não parou por conta do coronavírus. As doenças estão evoluindo e precisa desse contato direto com o médico. Então, para o momento – como a gente não se preparou, porque não tinha regulamentação específica – é o que temos que hoje utilizar – essas ferramentas – para não deixar os pacientes desassistidos. Só que com muito cuidado por parte de médicos e pacientes. Tem pontos importantes de ressaltar: a gente tem que tomar muito cuidado que do outro lado da linha tem que ter um profissional médico e se presencialmente a gente tem pessoas que se passam por médicos e não são, imagine remotamente. Então, todo cuidado é importante nesse momento. Quando falamos de pacientes que já vêm sendo acompanhados por seu médico, isso é fácil. Já conhece, houve uma primeira consulta presencial, tem o histórico. Nem que seja em ferramentas não adequadas, é o que se tem. Até virem as ferramentas e ele se adaptar a isso.”