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27/04/2020 - Warm Up São Paulo aborda Saúde Digital e Telemedicina em tempos de pandemia

De fato, vivemos uma situação inesperada diante da pandemia de Covid-19 que assola o mundo. A Saúde Digital e a Telemedicina passaram a ser, definitivamente, tecnologias fundamentais para a transformação e a entrega de cuidados a distância. Talvez este seja o momento oportuno para quebrar paradigmas, aprender e testar novos modelos.

Para discutir o tema, no último dia 23 de abril, o Warm up São Paulo – evento de aquecimento para o 2º Global Summit Telemedicine & Digital Health, que acontecerá de 13 a 15 de outubro – realizou um painel virtual com profissionais reconhecidos do mercado para compartilhar análises e experiências da conjuntura atual no Brasil.

“A crise tem provocado mudanças muito significativas nos negócios e, principalmente, forçado as empresas a se inovarem para sobreviver. É claro, já tínhamos instituições mais sólidas, se inovando e trazendo ideias mais competitivas. Hoje, é mais do que necessário repensar, reinventar e criar modelos”, fez a abertura das discussões a CEO e fundadora da RedFox, Isabela Abreu.

O vice-presidente da Crenet Health Tech, Fernando Paiva, acrescenta que o ecossistema da Saúde tecnológica no Brasil já estava em ampla ascensão desde 2019, com a disseminação das melhores práticas e soluções exponenciais ao mercado. “Iniciamos o ano de 2020 com insights de diretores e líderes hospitalares de uma maneira muito mais madura e clara. Dentro do meu entendimento, nunca tivemos massivamente a quantidade de informações disponíveis como temos hoje. E a maioria entende o significa e sabe qual é a usabilidade dessas tecnologias dentro da empresa, do grupo hospitalar, da clínica e do laboratório. Este momento de pandemia só ratificou e consubstanciou a necessidade de fazer com que as novas implementações tecnológicas sejam imediatas, em vez de planejar a concretização para daqui a seis meses ou um ano.”

O diretor de Inovação e Produtos da Teladoc, Jimmy Ayoub, destaca que um dos pontos críticos a se fazer atualmente com relação ao ecossistema diz respeito à sua fragmentação. “A partir de agora, com o aumento da criticidade, preciso ter a capacidade de integrar os diversos meios desta cadeia e suportar os desfechos que um caso possa vir a ter. Entendo, sobretudo, a Telemedicina como uma ponte, um fator decisório para que consigamos integrar e entregar uma jornada completa. Em momentos atrás, talvez nem existisse ou fosse possível o contato com o sistema de Saúde sem de fato ser físico.”

Assim, ele reafirma a transformação efetiva atual no atendimento tecnológico. “Vemos isso no nosso dia a dia, através de feedbacks dos nossos usuários finais. Já entenderam a importância da Telemedicina, algo que três anos atrás precisávamos explicar o impacto positivo. É isso que de fato nos estimula a continuar.”

 

Desmistificação

O diretor de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Marcos Bego, relembra que as discussões antes da pandemia eram um tanto elitizadas, abordadas por grupos específicos. “Com o cenário atual, não precisamos explicar com tantos detalhes, muitos já conseguiram entender e estão usando, fazendo de casa o acesso rápido.”

Ele concorda ainda que é o momento de se pensar em estratégias para amadurecer o ecossistema, para que haja um entendimento maior de experiência e prática, exemplificando algumas situações ocorridas recentemente.

“Observamos que alguns setores ditos inovadores não eram tão inovadores. Esperávamos muitas discussões avançadas, mas muito pelo contrário, todas as empresas de todos os segmentos apresentaram dificuldades neste momento de adaptação. Outras que se diziam digitais estão aprendendo agora na prática o que realmente é a Saúde Digital. Essa crise veio para nos despir de algumas coisas que achávamos que éramos referências, e não somos.”

Bego reitera que a crise pandêmica escancarou as diferenças profundas no Brasil em Telemedicina e Saúde Digital. “Precisamos usar novas formas para que consigamos incluir [todos os estados brasileiros] nesse mercado de saúde gigantesco, sem a necessidade de passar por anos de preparação.”

“Quando a gente fala no cenário pré-Covid-19, em que as incertezas surgiram da noite para o dia, muitas organizações não estavam preparadas para a transformação digital, ou estavam atrasadas com relação aos avanços, ou muito indecisas para sua implementação; agora, estão com essa pauta em caráter de urgência”, sintetiza a CEO da RedFox, Isabela Abreu.

Ela reforça que, nesse cenário do novo coronavírus, o atendimento remoto é um avanço para a diminuição dos gargalos em prontos-socorros, ampliação do diagnóstico rápido, geração de novas receitas para clientes ou para clínicas que estão ociosas e o atendimento à população que está em quarentena.

“Conseguimos levar a saúde para dentro da casa de cada um, mas também vemos muita inovação e pesquisas em desenvolvimento e uma necessidade muito grande de todos os gestores se inteirarem dos projetos, para que consigam levar às suas instituições as discussões de maneira mais organizada e assertiva”, acrescenta.

 

Necessidades urgentes

No entendimento do gerente de Inovação Aberta da Dasa e do CuboHealth, Thiago Julio, é importante ponderar a diferença entre transformação digital e digitalização. “Uma coisa é transformação e outra é digitalização de processos médico-assistenciais. Tem muita gente fazendo digitalização e falando de transformação; no meu entendimento, uma coisa precede a outra.”

Para ele, cenários caóticos e de incertezas futuras são ambientes férteis para a inovação e o empreendedorismo. “É natural surgirem novos momentos de soluções de incorporação agressiva e que em tese é o cliente que precisa de solução. A empresa incorporará aquela prática o mais rápido possível”.

No entanto, como argumentaram os palestrantes, evidenciar a regulamentação da Telemedicina, para que sejam reforçados os limites de ética da prática médica, segurança e privacidade de dados, deve permear todas as pautas.

“Há empreendedores que fazem um trabalho sério de entender os mercados, elaborar produtos adequados e entregar qualidade assistencial para o paciente. Conversei com muitas novas empresas de Teletriagem, Telemedicina e Inteligência Artificial. Mas precisamos de um pouco de tempo para entender quais as soluções”, complementa Julio.

Neste cenário de incertezas com relação ao futuro, o vice-presidente da Crenet Health Tech, Fernando Paiva, conclui: “Acreditamos que todas as empresas de Saúde, independentemente de quaisquer que sejam o segmento de atuação, têm de ser integradas e digitalizadas porque isso mudará até em termos de valor percebido perante o cliente final, que é o paciente, e o sistema de precificação realizado hoje no Brasil, dentro dos grupos desse ecossistema”.

O evento on-line foi mediado pelo diretor de Tecnologia da Informação da APM e presidente do Comitê Organizador do Global Summit Telemedicine & Digital Health, Antonio Carlos Endrigo; pelo presidente do Conselho Curador do GS, Jefferson Gomes Fernandes; e pelo CEO da Health Innova Hub, Fernando Cembranelli.

O vídeo está disponível no Canal Youtube do Transamerica Expo Center. Clique aqui para assisti-lo!

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